Pasta de Abobrinha com Alho Poró e Açafrão com Pesto de Rúcula... ou, sobre diálogos e sabores...


"(...) ao defender a liberdade de criação, não pretendemos absolutamente justificar o indiferentismo político e longe está de nosso pensamento querer ressuscitar uma arte dita “pura” (...). Não, nós temos um conceito muito elevado da função da arte para negar sua influência sobre o destino da sociedade. Consideramos que a tarefa suprema da arte em nossa época é participar consciente e ativamente da preparação da revolução. No entanto, o artista só pode servir à luta emancipadora quando está compenetrado subjetivamente de seu conteúdo social e individual, quando faz passar por seus nervos o sentido e o drama dessa luta e quando procura livremente dar uma encarnação artística a seu mundo interior." - Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente

Quando levantamos, eu mais Gabriela e Tulipa, a manhã já se estendia e Claudio chegava.

Gosto dos dias com Gabriela, minha Nannnn...

"(...) Quando a vejo logo pela manhã, o dia começando a cantar em pássaros, penso em oração. Dessas de terço na mão. Rosário. Fé. Tudo.
Tenho uma fé inabalável nela. De acreditar mesmo. De sentir nas palavras, ali, a força.
Quando a vejo depois, mais tarde, sem as preces matinais, penso em sol nascendo.
Ou um lugar de flores descendo pela colina de seu corpo. Campo estendido alimentando a alma de beleza.
Depois disso, no resto do dia, eu só consigo pensar em paraíso." - Mariana Gouveia

Os diálogos começaram no café da manhã e se estenderam até o final da tarde. Conversamos sobre Arte, sobre o fim do capitalismo, sobre pessoas, sobre a casa, sobre Arte novamente, sobre coletividades, sobre o fazer artístico, sobre projetos, sobre transformação, sobre a inaceitável fome no mundo... 

Os sabores vieram no meio da conversa... acompanhado de aromas e a intenção de quebrar o verde da receita com uma cor.



O prato é muito fácil e rápido de ser preparado.

Para três pessoas, usei duas Abobrinhas médias, um Alho Poró, Açafrão ao gosto, um dente de Alho, um molhe pequeno de Rúcula de nossa horta, Azeite de Pimenta, Azeite, Queijo Parmesão ralado, Castanha de Caju triturada, Sal e Pimenta do Reino à gosto.

O azeite de pimenta foi preparado por Gabriela, usando um mix de pimentas da horta de sua Tia Irene, que mora em Caiapônia, Goiás.

Com um descascador de batatas, fiz lascas da abobrinha e reservei. Em seguida, piquei o alho poró e também reservei.

  

Para o pesto de rúcula, pilei um alho e juntei a rúcula picadinha, continuando a pilar. Acrescentei um pouco do azeite de pimenta e tornei a pilar. Quando formou uma pasta, acrescentei o parmesão ralado e as castanhas de caju trituradas. Pilei mais um pouco e transferi a pasta para um pote de louça e continuei a pilar, acrescentando mais azeite ou queijo parmesão, até encontrar o ponto adequado.



Me perdoem se para alguns ingredientes, não apresento medidas exatas. É por que não as tenho. Apenas uso a intuição, até encontrar o ponto... o meu ponto.



Com o pesto pronto, coloquei água para ferver em uma panela grande e adicionei sal. Quando começou a ferver, acrescentei a abobrinha cortada em lascas e deixei cozinhar, até ficar al dente. Despejei a água quente e enchi a panela com água fria, para fechar o cozimento.

Em outra panela, refoguei o alho poró em azeite. Temperei com pimenta do reino e depois, acrescentei o açafrão, misturando sempre. Juntei a pasta de abobrinha e mexi. Acrescentei o pesto de rúcula e misturei bem, para incorporar na pasta de abobrinha.

No prato, servi a Pasta de Abobrinha com Alho Poró e Açafrão com Pesto de Rúcula finalizado com parmesão ralado e castanhas de caju trituradas.

Ficou delicioso e os sabores harmonizaram. Acompanhamos o prato com um vinho rose, de uvas californianas.



“Na arte, o homem expressa (...) sua necessidade de harmonia e de uma existência plena (...) que a sociedade classista lhe nega. Por isso, em toda autêntica criação artística há implícito um protesto, consciente ou inconsciente, ativo ou passivo, otimista ou pessimista, contra a realidade (...) O capitalismo em decadência é incapaz de garantir nem sequer as condições mínimas necessárias para o desenvolvimento daquelas correntes artísticas que em alguma medida satisfazem as necessidades do nosso tempo. Qualquer palavra nova aterroriza-o supersticiosamente”. Parágrafo de carta de Trotsky à Breton, na construção do Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente.

Comentários

Postagens mais visitadas