Gravata gratinada ao Molho Branco com Ervas... ou, carrego o seu coração comigo, eu o carrego no meu coração

A manhã escorreu pela noite, trazida em poesia de Cummings, tecida por um olhar forte e doce, mas que eu nunca toquei. Não sabia que vinha. Penetrava em meu mundo quando eu me distraia em sonhos mundanos...

"Carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração
Nunca estou sem ele
Onde eu for, você vai, minha querida
Não temo o destino
Você é meu destino, meu doce
Não quero o mundo pois,
Você é meu mundo, minha verdade
Eis o segredo que ninguém sabe
Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto
E o céu do céu
De uma arvore chamada vida
Que cresce mais do que a alma pode esperar
Ou a mente pode esconder
E esse é o prodígio
Que mantem as estrelas a distancia
Carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração."

(E.E. Cummings)


Compadre meu Guimarães Rosa diz que "porque, enquanto coisa assim se ata, a gente sente mais é o que o corpo a próprio é: coração bem batendo."... e assim é, sem ser entendível.




Primeiro, separei as Ervas de minha horta: algumas folhas de Manjericão, uns raminhos de Salsinha, de Tomilho, de Cebolinha e de Orégano

E preparei o Molho Branco, com: duas colheres de sopa de Manteiga, duas colheres de sopa de Farinha de Trigo e meia Cebola picadinha.

Mas juntei às ervas e ao molho branco, uma xícara e meia de Creme de Leite fresco e algumas pitadas de Noz Moscada. A Pimenta do Reino e a Flor de Sal, é sempre à gosto do paladar.

Para gratinar, usei queijo Parmesão ralado na hora.


Primeiro, dourei a cebola na manteiga. Acrescentei a Pimenta do Reino e misturei. Juntei a farinha de trigo aos poucos e incorporei ao refogado, deixando dourar levemente. Fui acrescentando o leite aquecido e misturando, para não empelotar. Deixei cozinhar por aproximadamente 2 minutos, misturando sempre e desliguei o fogo. Ah, fiz tudo em fogo baixo.

Depois, juntei o creme de leite e misturei tudo. Acrescentei as ervas e a noz moscada. Coloquei a flor de sal e mexi. Fui acertando o paladar aos poucos, as vezes um pouco mais de flor de sal, um pouco mais de pimenta do reino, um pouco mais de noz moscada, enfim... de acordo com o paladar. Reservei.

Coloquei a massa para cozinhar em água salgada e quando estava al dente, escorri a água e coloquei a massa em um pode de barro com o molho branco com ervas. Por cima, salpiquei o queijo parmesão ralado e levei ao forno pré aquecido para gratinar. Servi com Vinho Branco.

A massa e o vinho foram presentes de dia dos pais de Cléo e Loan.

A receita, bem... essa veio junto com a manhã, embalada na poesia...

"já que sentir vem antes
quem prestar atenção
à sintaxe das coisas
nunca te beijará completamente;
ser totalmente louco
quando há primavera
meu sangue aprova,
e beijos são melhor destino
que sabedoria
dama eu juro por todas as flores. Não chores
–o melhor gesto do meu cérebro é menos que
o tremer de tuas pálpebras que diz
que somos um para o outro:então
ri,sem medo em meus braços
pois a vida não é nenhum parágrafo.
E a morte eu acho não é nenhum parêntese"

(Cummings)





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